#NaMídia | SEGS: Parto seguro: entidades formam aliança e preparam carta-compromisso para a redução da mortalidade materna e neonatal, que aumentou na pandemia

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Iniciativa atende ao chamado da OMS, que escolheu o “Cuidado materno e neonatal seguro” como tema do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2021, comemorado em 17/09

No mundo, todos os dias, 830 mulheres morrem por causas evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto. E, anualmente, 2,5 milhões de bebês morrem logo após nascer. Os dados são da Organização Mundial da Saúde. Hemorragias, infecções, abortos inseguros, eclampsia (com convulsões durante a gestação e no puerpério) e parto distócico (quando há dificuldade na passagem do bebê pela bacia) são as complicações responsáveis por mais de 70% das mortes maternas (OMS, 2021).

No Brasil, a cada 100 mil bebês nascidos vivos, ocorrem cerca de 60 óbitos maternos, praticamente o dobro da meta definida pelo país junto à Organização das Nações Unidas (30 óbitos maternos/100.000 nascidos vivos até 2030). O país é o 10º colocado no ranking mundial da prematuridade, com 300 mil nascimentos prematuros registrados em 2019. O quadro agora é mais crítico em decorrência da pandemia: 38 óbitos maternos por Covid-19 foram registrados a cada semana no Brasil durante 2021, segundo o Observatório Obstétrico Brasileiro.

Especialistas garantem que essa situação dramática pode ser evitada com atendimento adequado às gestantes e aos neonatos. Em defesa desse atendimento, quase 50 entidades criaram a Aliança Nacional para o Parto Seguro e Respeitoso. A iniciativa atende ao chamado da OMS, que escolheu o “Cuidado materno e neonatal seguro” como tema do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2021, comemorado em 17 de setembro.

“Trata-se de um problema grave de saúde pública, que demanda resposta coletiva, abrangente, multiprofissional. E essa é a razão da aliança – queremos unir forças para potencializar os resultados”, diz Victor Grabois, presidente da Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente – SOBRASP, uma das entidades que coordena a iniciativa. Segundo ele, com alguma melhoria na qualidade da atenção ao pré-natal, ao parto e ao puerpério, o Brasil conseguiu reduzir a RMM (razão da mortalidade materna) em 8,4% em um ano (de 2017 para 2018).

Gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade Setorial da Agência Nacional de Saúde (ANS), Ana Paula Cavalcante comenta que, desde 2015, é promovido pela agência o Movimento Parto Adequado, com o objetivo de estimular uma melhor experiência de parto e nascimento para mulheres e bebês na saúde suplementar. “Os hospitais participantes protagonizaram a criação de um novo modelo de assistência materno-infantil e, entre outras medidas, evitaram a realização de 20 mil cesarianas desnecessárias. O Brasil é o segundo país no mundo com maior proporção nas realizações de cesarianas”, conta. Ana Paula reforça a importância da Aliança Nacional como integradora de ações: “precisamos fortalecer a parceria entre os principais agentes do setor para avançar. Além disso, é fundamental fortalecer o protagonismo e empoderamento das mulheres”.

Carta-compromisso entregue aos governos e monumentos iluminados para a causa

“Aja agora para um parto seguro e respeitoso” é o slogan da campanha difundida ao longo do mês de setembro pelas entidades que compõem a Aliança. A página http://aliancapartoseguro.org.br/ reúne as diretrizes gerais da campanha – elaboradas por um Conselho Científico – e disponibiliza publicações das diferentes entidades com informações e orientações para a segurança de mulheres e bebês. As principais diretrizes dizem respeito à Equidade, Respeito, Redes de Atenção, Parto Adequado, Prevenção à Mortalidade Materna, Prevenção da Prematuridade, Letramento, Empoderamento e Engajamento e Participação da Família.

Victor Grabois explica que, além da adoção de práticas seguras, as diretrizes abarcam questões relevantes que precisam ser destacadas constantemente: com relação à equidade, por exemplo, o Ministério da Saúde informa que 65% dos óbitos maternos ocorridos em 2018 foram de mulheres negras ou pardas. “Nossa campanha compreende o enfrentamento de desigualdades e do racismo. Estamos falando também de respeito, o que inclui o acolhimento, a escuta. Há um conjunto de questões que tornam a ação urgente”, diz o presidente da SOBRASP.

Ele acrescenta que a pobreza, a falta de informação e acesso a serviços de saúde adequados impedem as mulheres de receberem cuidados durante a gestação e o parto. “Para melhorar a saúde materna, as barreiras que limitam o acesso a serviços de qualidade devem ser enfrentadas em todos os níveis do sistema de saúde. Trabalhar por essas mudanças é o propósito da Aliança Nacional para o Parto Seguro e Respeitoso”, diz.

Clique aqui e leia o texto o completo.

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